Otosclerose Dr. Luciano Moreira · Equipe SONORA

1 — Descoberta

Otosclerose é perigosa? Pode levar à surdez?

Resposta rápida

A otosclerose não é uma doença perigosa no sentido de ameaçar a vida. Ela fica restrita ao ouvido, não é um câncer nem uma doença que se espalha pelo corpo. O risco real é outro, a audição pode piorar de forma importante ao longo dos anos se a doença não for tratada [1]. Mesmo assim, ela tem tratamento em cada fase, e a perda quase nunca chega a um silêncio absoluto, porque mesmo nas formas avançadas há caminhos para reabilitar a audição [2]. Quem ouve cada vez menos não precisa entrar em pânico, mas também não deve ignorar.

A otosclerose ameaça a audição, não a vida

A otosclerose não coloca a sua vida nem o seu corpo em risco. Ela é um processo localizado no osso ao redor do ouvido interno, que trava o estribo e atrapalha a passagem do som [1]. Não é um tumor, não é maligna e não se espalha para outros órgãos. Por isso, quando alguém pergunta se a otosclerose é perigosa ou grave, a resposta tem duas medidas. Como ameaça à saúde geral, ela não é grave. Como problema de audição, ela pode, sim, se tornar séria, porque tende a piorar com o tempo se não for tratada, e uma perda auditiva importante pesa de verdade na vida de qualquer pessoa [1]. A boa notícia é que gravidade não é sinônimo de algo sem saída. A otosclerose tem tratamento em cada estágio, e mesmo as formas mais avançadas têm caminho [1][2]. O que muda o desfecho não é o susto, é entender em que fase está a doença e o que cada fase permite fazer. Para entender o que é a doença por dentro, veja o que é a otosclerose, e os caminhos de tratamento estão reunidos na página sobre o tratamento da otosclerose.

Até onde a audição pode piorar, e por que raramente vira silêncio total

A audição pode piorar bastante na otosclerose não tratada, mas isso é diferente de ficar surdo no sentido de perder toda a audição. A maior parte da perda é condutiva, ou seja, o som chega abafado porque o estribo está travado, e esse tipo de perda não zera a audição, apenas a reduz [1]. Com o passar dos anos, sem tratamento, ela pode evoluir de leve para moderada ou severa, e em parte dos casos atingir também o ouvido interno, somando um componente neurossensorial [1]. Chegar a um silêncio absoluto é raro. Mesmo no cenário avançado existe caminho, porque a diretriz brasileira reconhece o implante coclear como tratamento seguro e benéfico na perda profunda [2]. Em outras palavras, a otosclerose pode levar a uma perda importante se for ignorada, mas a ideia de uma surdez total e sem volta não corresponde ao que ela costuma fazer. A velocidade dessa piora varia muito de pessoa para pessoa, tema da página sobre o prognóstico da otosclerose, e o cenário mais avançado tem a sua própria página, otosclerose avançada e implante coclear.

Cenário O que acontece com a audição O que costuma fazer parte do tratamento
Otosclerose típica (condutiva) Som abafado pelo estribo travado; a audição não zera [1] Acompanhar, aparelho auditivo ou cirurgia do estribo, conforme o caso
Doença que avança sem tratar Perda pode evoluir de leve para moderada ou severa [1] Avaliar o tratamento da parte condutiva antes que a perda aumente
Envolvimento do ouvido interno (coclear) Soma-se um componente neurossensorial à perda [1] Avaliação individual; aparelho e, em perda profunda, implante coclear [1][2]
Forma avançada com perda profunda Perda profunda, raramente silêncio absoluto Implante coclear, reconhecido pela diretriz brasileira [2]

Tontura e equilíbrio, um papel secundário

A essência da otosclerose é mecânica, não neurológica. Na forma típica, ela trava o estribo e atrapalha a passagem do som, sem lesar o ouvido interno [1]. A tontura pode acontecer, mas costuma ser leve e não é o que domina o quadro, em que a queixa principal é a perda auditiva, às vezes com zumbido [1]. Em situações mais avançadas o equilíbrio pode se alterar mais, chegando a lembrar outras doenças do ouvido interno, mas isso é menos comum [1]. Existe ainda uma forma em que os focos avançam ao redor da cóclea, a otosclerose coclear, e aí pode surgir um componente neurossensorial na perda [1]. Sentir uma tontura leve, portanto, não é sinal de que a doença esteja fora de controle, e sim de que ela merece ser avaliada com calma. As queixas mais comuns estão reunidas na página sobre os sintomas da otosclerose.

O verdadeiro risco é deixar de tratar

Não tratar a otosclerose não significa, do dia para a noite, perder a audição de vez. O que se sabe é que a doença tende a progredir com o tempo, e a perda pode aumentar ao longo dos anos se nada for feito, num ritmo que varia de pessoa para pessoa [1]. Mas tratar não quer dizer, necessariamente, operar. Há quem se beneficie de aparelho auditivo, há quem prefira acompanhar a audição de perto, e há quem tenha indicação clara de cirurgia [1]. A decisão é individual, sem pressa artificial, e está detalhada na página sobre operar ou usar aparelho auditivo. O ponto é simples, esperar não faz a doença regredir, mas a escolha do caminho pode ser tomada com calma e informação, não no susto.

Chamada

Se a sua audição vem caindo e você quer entender em que fase está a doença e o que fazer, comece pela página sobre o tratamento da otosclerose e pela comparação entre operar ou usar aparelho auditivo. Para os casos mais avançados, veja otosclerose avançada e implante coclear. E se você quer revisar os seus exames e conversar sobre o seu caso, é possível fazê-lo numa consulta on-line, complementar ao atendimento presencial. Saiba como funciona a avaliação à distância ou agende a sua consulta.


Referências (verificadas na fonte primária — 2026-06-25)

  1. Hohman MH, Khan MAB. Otosclerosis. StatPearls, 2024. NBK560671
  2. Silva VAR, Pauna HF, Lavinsky J, et al. Brazilian Society of Otology task force — Otosclerosis: evaluation and treatment. Braz J Otorhinolaryngol. 2023;89(5):101303. PMC10474207
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