Otosclerose Dr. Luciano Moreira · Equipe SONORA

3 — A decisão

Otosclerose tem cura? Tratamento e o que resolve

Resposta rápida

Sim, a otosclerose tem tratamento, mesmo não tendo cura no sentido de fazer a doença desaparecer. Não há remédio nem dieta que a combata, mas a perda de audição que ela causa pode ser revertida com a cirurgia, na parte mecânica, e reabilitada com aparelho ou implante no restante [1]. Curar, tratar e reabilitar não são a mesma coisa, e é essa confusão de palavras que mais assusta o paciente. As três rotas, acompanhar a audição, usar aparelho ou operar o estribo, e qual faz sentido para o seu caso, vêm logo a seguir. A otosclerose costuma ser progressiva se não for tratada, e a decisão é sempre individual [2].

A otosclerose tem tratamento?

A resposta curta é sim. Mas a pergunta carrega uma confusão de palavras que vale desfazer com calma, porque curar, tratar e reabilitar não querem dizer a mesma coisa.

Curar, no sentido que a maioria das pessoas dá à palavra, é fazer a doença desaparecer e nunca mais voltar. Nesse sentido, a otosclerose não tem cura, porque não existe como apagar a tendência do osso ao redor do ouvido de se remodelar [2]. Mas é justamente aqui que mora o engano que mais assusta, ouvir "não tem cura" e entender "não há nada a fazer". Uma coisa não leva à outra.

E não ter cura está longe de ser uma sentença, nem é coisa rara na medicina. A hipertensão não tem cura, o diabetes não tem cura, a maior parte das alergias não tem cura. Um número enorme de doenças comuns acompanha a pessoa a vida toda sem cura, e nem por isso fica sem tratamento, muito pelo contrário. Nesses casos, é o tratamento que melhora a vida e evita consequências graves. Com a otosclerose, e com a maioria das perdas auditivas, o raciocínio é o mesmo, o foco não é apagar a doença, e sim tratar bem a perda que ela causa.

Tratar, aliás, é mais amplo do que curar. Tratar a otosclerose é agir sobre a perda de audição que ela provoca, e isso a medicina faz bem. Acompanhar a audição ao longo do tempo é tratamento, usar um aparelho auditivo é tratamento, operar o estribo é tratamento. Toda perda auditiva tem algum caminho, e a da otosclerose tem caminhos bem estabelecidos. Por isso a resposta para "a otosclerose tem tratamento?" é sim, mesmo quando a resposta para "tem cura?" é não.

A chave que desfaz a confusão é separar duas coisas, curar a doença e resolver a perda de audição que ela causou. A parte mecânica da perda, o estribo travado, pode ser revertida com a cirurgia, recuperando a audição que aquela trava havia tirado, sem que isso signifique ter curado a doença [1]. E quando a perda não é mecânica, ou quando a pessoa prefere não operar, entra a reabilitação auditiva, que é voltar a ouvir bem com um aparelho auditivo ou, nos casos avançados, com um implante coclear, mesmo sem mexer na causa [1]. Reabilitar não é curar, mas ajuda a pessoa a voltar a ouvir bem no dia a dia.

Falta dizer o que a otosclerose não tem. Não existe remédio que a cure nem que comprovadamente trave a sua progressão como tratamento de rotina, e a própria diretriz brasileira conclui que o tratamento medicamentoso mostrou pouco benefício [1][2]. E, como ela é uma doença do osso, de fundo genético, e não é causada por alimentação, estresse ou estilo de vida, também não há dieta, chá, suplemento ou mudança de hábito que aja contra ela. Cuidar bem da saúde sempre vale a pena, mas nenhum alimento ou comportamento destrava o estribo, e qualquer promessa de "tratamento natural" que reverta a doença merece desconfiança.

Resumindo de forma direta, a otosclerose não tem cura no sentido de apagar a doença, e não há remédio nem hábito que a combata, mas ela tem tratamento, porque a perda que ela causa pode ser revertida com a cirurgia na parte mecânica e reabilitada com aparelho ou implante no restante. "Não tem cura" nunca quis dizer "não tem o que fazer".

As três rotas de tratamento, e para quem cada uma faz sentido

São três caminhos possíveis, e a escolha depende do estágio da doença, do quanto ela incomoda e da preferência de cada pessoa. O primeiro é acompanhar, monitorando a audição ao longo do tempo, uma conduta razoável em casos leves ou quando a pessoa ainda não quer intervir. O segundo é o aparelho auditivo, que amplifica o som e melhora a comunicação, bem indicado sobretudo para quem não quer ou não pode operar [1]. O terceiro é a cirurgia do estribo, a estapedotomia, que trata o componente condutivo da perda [1]. Há ainda os casos avançados, com perda profunda e pouca reserva do ouvido interno, em que se avalia o implante coclear [1].

A diferença mais importante entre essas rotas está em uma distinção simples. O aparelho auditivo ajuda a ouvir, mas não trata a doença. Ele amplifica o som para compensar a perda, e é uma opção bem indicada, sobretudo para quem não deseja operar ou tem contraindicação à cirurgia [1]. Entre as opções não cirúrgicas, é o que dá o melhor resultado [1]. Mas ele não age sobre o estribo travado nem interrompe a otosclerose, que segue o seu curso por baixo da amplificação. A cirurgia faz o contrário, ela trata o mecanismo que causa a perda. O aparelho contorna a perda, a cirurgia age sobre a sua causa mecânica. Qual dos dois faz mais sentido no seu caso é o tema da página sobre operar ou usar aparelho.

Rota O que faz Para quem costuma fazer sentido
Acompanhar e monitorar Vigia a audição ao longo do tempo, sem intervir de imediato Perda ainda leve, ou quando a pessoa prefere não intervir agora
Aparelho auditivo Amplifica o som e melhora a comunicação; não age sobre a doença [1] Quem não quer ou não pode operar
Cirurgia do estribo (estapedotomia) Trata o componente condutivo da perda, a parte mecânica [1] Perda condutiva com gap aéreo-ósseo e boa reserva coclear [1]
Implante coclear Reabilita a audição quando a perda é profunda Otosclerose avançada, com pouca reserva do ouvido interno [1]

Os remédios e o "tratamento natural" da otosclerose

Como nenhum medicamento age sobre o estribo travado, os remédios às vezes associados à otosclerose têm papel muito limitado. Já se tentou o fluoreto de sódio e os bifosfonados, como o alendronato, mas a evidência é fraca e eles não têm indicação de uso de rotina [1]. As doses, os riscos e o porquê de entrarem com tanta reserva estão na página sobre remédio para otosclerose. Quanto ao "tratamento natural", caseiro ou suplemento que reverta a doença, como vimos ele não existe, e qualquer promessa nesse sentido merece desconfiança.

Por que esperar não faz a doença regredir

A otosclerose é uma doença progressiva, que tende a piorar ao longo dos anos se não for tratada, embora a velocidade varie muito de pessoa para pessoa [2]. A perda costuma começar em um ouvido e, com o tempo, atingir os dois, podendo evoluir de leve para moderada e, em parte dos casos, comprometer também a parte do ouvido interno [2]. Não dá para cravar em quanto tempo isso acontece, porque cada caso tem o seu ritmo. O que se pode dizer com segurança é que esperar não faz a doença regredir. Isso não significa que tratar seja obrigatório em todo caso, há quem prefira acompanhar a audição de perto antes de decidir, e essa é uma conduta legítima. O ponto é que a escolha pode ser feita com calma e informação, sabendo que a doença não anda para trás sozinha. O ritmo da progressão e o que esperar ao longo dos anos estão detalhados na página sobre o prognóstico da otosclerose.

Qual é o melhor tratamento para o seu caso?

Não existe um melhor tratamento único que sirva para todos. O caminho depende do tipo e do grau da perda, da reserva do ouvido interno, da idade, das contraindicações e da preferência de cada pessoa. A avaliação parte da audiometria e da imitanciometria e, quando necessário, da tomografia, exames detalhados na página sobre como se diagnostica a otosclerose, com uma conversa sobre os caminhos, sem prometer resultado. Por isso a resposta para "qual o melhor tratamento para o meu caso" não vem pronta, ela nasce de rever os seus exames e entender em que fase está a doença. A decisão entre operar e usar aparelho tem uma página própria, veja operar ou usar aparelho auditivo.

Chamada

Se a dúvida é operar ou usar aparelho, a comparação está na página sobre operar ou usar aparelho auditivo. E se você quer revisar os seus exames e entender qual caminho faz sentido para o seu caso, é possível fazê-lo numa consulta on-line, complementar ao atendimento presencial. Saiba como funciona a avaliação à distância ou agende a sua consulta.


Referências (verificadas na fonte primária — 2026-06-25; detalhe em pesquisa/14)

  1. Silva VAR, Pauna HF, Lavinsky J, et al. Brazilian Society of Otology task force — Otosclerosis: evaluation and treatment. Braz J Otorhinolaryngol. 2023;89(5):101303. PMC10474207
  2. Hohman MH, Khan MAB. Otosclerosis. StatPearls, 2024. NBK560671
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