Otosclerose Dr. Luciano Moreira · Equipe SONORA

4 — A cirurgia

Cirurgia endoscópica do ouvido na otosclerose

Resposta rápida

A cirurgia endoscópica do ouvido na otosclerose usa uma câmera fina que entra pelo próprio canal auditivo, sem corte externo atrás da orelha, e oferece uma visão panorâmica das estruturas do ouvido médio. O ganho auditivo é equivalente ao da técnica microscópica, segundo a literatura, e a diferença está em outro ponto. A abordagem endoscópica está associada a um menor índice de alteração do paladar e a menos dor no pós-operatório [1][2]. Não é uma técnica perfeita. Ela é feita com uma mão só e tem uma curva de aprendizado, por isso o que mais pesa no resultado segue sendo a experiência de quem opera [2][3].

O que é a cirurgia endoscópica e como ela difere da microscópica

A cirurgia endoscópica do ouvido na otosclerose é uma forma de fazer a estapedotomia usando um endoscópio, uma câmera fina e iluminada, em vez do microscópio cirúrgico. O acesso é transcanal, ou seja, o instrumento entra pelo próprio canal auditivo, sem a necessidade de um corte externo atrás da orelha [2]. Por trabalhar por essa "fechadura" natural do conduto, a câmera chega perto das estruturas e devolve uma imagem ampliada e panorâmica do ouvido médio, com boa visualização de pontos como a janela oval e a platina do estribo [2]. O passo cirúrgico em si é o mesmo de qualquer estapedotomia, trocar o estribo travado por uma prótese, o que muda é o instrumento que enxerga e ilumina o campo. Veja como é a cirurgia em a cirurgia da otosclerose, a estapedotomia passo a passo.

A diferença principal para a técnica microscópica está na forma de enxergar o campo e em alguns efeitos do pós-operatório, não no resultado auditivo. Com o microscópio, a visão vem de fora, em linha reta, e às vezes exige remover um pouco de osso do canal para alcançar o estribo. Com o endoscópio, a câmera entra pelo conduto e dá uma visão de ângulo largo, o que costuma permitir manipular menos o nervo da corda do tímpano, ligado ao paladar [1][2]. Sobre o que o paciente sente, a literatura compara as duas técnicas assim.

O que se compara Endoscópica Microscópica
Como enxerga o campo Câmera dentro do conduto, visão panorâmica e ampliada [2] Microscópio de fora, em linha reta
Incisão Transcanal, sem corte externo atrás da orelha [2] Em geral transcanal; por vezes pede mais osso ou acesso ampliado
Manipulação da corda do tímpano (paladar) Menor necessidade de manipular o nervo [1][2] Maior necessidade em parte dos casos
Alteração do paladar (disgeusia) Menor índice [1][2] Índice maior
Dor no pós-operatório Menor escore de dor [1] Escore de dor maior
Ganho auditivo (fechamento do gap) Equivalente [1][2] Equivalente [1][2]
Tempo de cirurgia Sem diferença significativa [1] Sem diferença significativa [1]
Complicações maiores (nervo facial, perfuração do tímpano, tontura) Risco comparável [1] Risco comparável [1]

O resumo é direto. O resultado de audição é equivalente entre as duas técnicas, e as complicações maiores também [1]. O que muda a favor da endoscópica são a menor alteração do paladar e a menor dor no pós-operatório [1][2].

O ganho auditivo é equivalente, o que muda é o caminho

A escolha da câmera não é o que define o quanto a audição melhora. O ganho auditivo da cirurgia endoscópica é equivalente ao da microscópica, e nenhuma das duas leva vantagem sobre a outra nesse ponto. Uma meta-análise que reuniu onze estudos comparativos não encontrou diferença significativa no fechamento do gap aéreo-ósseo entre as técnicas, e mostrou riscos de complicações maiores comparáveis entre o endoscópio e o microscópio [1]. O que separa a endoscópica é o caminho até esse resultado, com menos manipulação de estruturas e um pós-operatório que tende a incomodar menos [1].

Essa diferença aparece, sobretudo, no paladar. A visão de ângulo largo do endoscópio costuma permitir chegar ao estribo manipulando menos o nervo da corda do tímpano, que passa pelo ouvido médio e carrega parte do paladar. Quando esse nervo é muito mexido ou esticado durante a cirurgia, pode surgir uma alteração do gosto, a disgeusia, em geral um gosto metálico ou amargo. Os estudos que compararam as técnicas mostram que a endoscópica reduz de forma significativa a necessidade de manipular esse nervo e a ocorrência de disgeusia [1], com um deles relatando alteração do paladar em torno de 7% no grupo endoscópico contra cerca de 25% no microscópico [2]. Vale uma ressalva. A redução clara aparece na alteração do paladar e na manipulação do nervo, não numa diferença comprovada de lesão definitiva do nervo entre as técnicas [1].

As desvantagens reais e por que a experiência de quem opera pesa mais

É justo dizer também o que a técnica endoscópica tem de limitação. A principal é que o endoscópio ocupa uma das mãos do cirurgião, então a cirurgia é feita com uma mão só, enquanto no microscópio as duas mãos ficam livres [2]. Há também uma curva de aprendizado, ou seja, a técnica exige treino dedicado e, no começo, pode levar mais tempo [2]. Some-se a perda da noção de profundidade que a câmera de uma lente impõe, contornada pela imagem ampliada no monitor [2]. Nada disso torna a técnica insegura, os estudos mostram complicações maiores comparáveis às da microscópica [1], mas explica por que ela depende tanto da prática de quem a realiza. A própria literatura é clara ao dizer que a experiência do cirurgião pesa mais no sucesso e na segurança da cirurgia do que a técnica específica escolhida [3].

Por isso, nem todo cirurgião opera por via endoscópica. A cirurgia do ouvido por essa via exige treino específico e tem a tal curva de aprendizado, e isso não tira o mérito de quem opera bem pela via microscópica. As duas técnicas chegam a resultados auditivos equivalentes [1][2]. O que importa é procurar um otorrinolaringologista com atuação dedicada à cirurgia da otosclerose, mais do que a câmera que ele usa. Os receios mais comuns de quem vai operar estão reunidos na página sobre riscos e medos da cirurgia.

Sem corte externo, sem cicatriz visível

Não há corte na pele atrás da orelha. O acesso é transcanal, feito por dentro do próprio canal auditivo, com uma incisão interna que cicatriza sob a pele do conduto e não fica à mostra [2]. Por isso a cirurgia endoscópica não deixa cicatriz visível no rosto nem atrás da orelha. Vale lembrar que mesmo a estapedotomia feita por microscópio costuma ser transcanal na maioria dos casos, o ponto da endoscopia é dispensar com mais frequência qualquer ampliação desse acesso. A recuperação tende a ser mais confortável, com menos dor no pós-operatório segundo a literatura [1], e a orientação detalhada do que esperar dia a dia está na página de pós-operatório.

Chamada

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Referências (verificadas na fonte primária — 2026-06-25)

  1. Albazee E, Alajmi H, Aldoukhi A, Alali AW. Endoscopic Versus Microscopic Stapedotomy: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. Otolaryngol Head Neck Surg. 2025;172(4):1164-1176. PMID 39749405
  2. Moneir W, Abd El-fattah AM, Mahmoud E, Elshaer M. Endoscopic stapedotomy: Merits and demerits. J Otol. 2017;13(3):97-100. PMC6291631
  3. Toscano ML, Matz O, Hohman MH, Shermetaro C. Stapes Surgery for Otosclerosis. StatPearls, 2026. NBK562205
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