7 — Convivência
Zumbido e otosclerose, a cirurgia melhora?
Resposta rápida
A otosclerose costuma causar zumbido, e esse zumbido tende a piorar conforme a doença avança [1]. O zumbido é um sintoma, não uma doença isolada, então o caminho não é tratar o zumbido sozinho, e sim investigar e tratar a perda auditiva que está por trás dele. A cirurgia do estribo pode melhorar o zumbido em parte dos pacientes, em uma série brasileira cerca de 6 em cada 10 tiveram melhora ou desaparecimento do zumbido, parte ficou igual e nenhum dos pacientes acompanhados piorou, o que não é garantia de que isso se repita em todos os casos [2]. Mas não há promessa de que o zumbido desapareça, porque outras revisões mostram melhora em proporções variáveis e uma minoria que pode piorar [3].
O zumbido é um sintoma da otosclerose, não a doença em si
O zumbido é uma queixa comum na otosclerose e costuma piorar à medida que a doença progride [1]. A queixa principal da maioria das pessoas continua sendo a perda de audição, mas o zumbido com frequência aparece junto, às vezes como um chiado, um apito ou um zumbido contínuo num ouvido ou nos dois [1]. Como a otosclerose costuma ser bilateral e progressiva, o zumbido pode começar de um lado e acompanhar a evolução da perda auditiva ao longo do tempo. Por isso ele não deve ser olhado de forma isolada, e sim entendido como parte do quadro. Entenda o conjunto das queixas em sintomas da otosclerose.
Essa distinção muda o caminho do tratamento. Quando alguém me procura porque o que mais incomoda é o zumbido, o meu trabalho não é tratar o ruído como se ele fosse o problema, e sim entender o que está produzindo aquele zumbido. Na otosclerose, o que está por trás costuma ser a perda auditiva mecânica, o estribo travado, e investigar e tratar essa perda é o que costuma fazer diferença, inclusive sobre o próprio zumbido [1]. Tratar o zumbido por conta própria, sem entender a causa, é correr atrás do sintoma e deixar a doença seguir o seu curso por baixo.
O que a cirurgia faz com o zumbido
A cirurgia pode melhorar o zumbido em parte dos pacientes, mas não há garantia. Ela é feita para tratar a perda auditiva condutiva, não para tratar o zumbido diretamente, e o efeito sobre o zumbido vem como uma consequência possível, não como um objetivo prometido. Numa série clínica brasileira que acompanhou pacientes com zumbido antes da cirurgia, cerca de 60% tiveram melhora ou desaparecimento do zumbido, cerca de 40% ficaram com o zumbido inalterado e nenhum dos pacientes acompanhados piorou nesse grupo, o que não é garantia de que isso se repita em todos os casos [2]. É um número expressivo, mas é apenas uma série, e a literatura mais ampla mostra que o ganho varia bastante.
Numa revisão sistemática recente, com mais de duas mil pessoas operadas, a melhora do zumbido variou de cerca de 16% a 64% dos pacientes entre os estudos, com uma minoria, entre cerca de 3% e 11%, relatando piora [3]. Há ainda revisões mais otimistas, que descrevem algum grau de melhora na maior parte dos casos [4], mas esses números mais altos misturam o desaparecimento completo com a melhora apenas parcial, e por isso peço cautela ao lê-los. O retrato é simples. Na maioria dos pacientes o zumbido tende a melhorar depois da cirurgia, em outra parte ele permanece igual, e numa minoria pode piorar. Conheça o procedimento em a cirurgia da otosclerose e os riscos envolvidos em riscos e medos da cirurgia.
| Desfecho do zumbido após a cirurgia do estribo | O que a literatura descreve |
|---|---|
| Melhora ou desaparecimento | Maioria dos pacientes numa série brasileira (cerca de 60%) [2]; faixa de 16% a 64% entre estudos de uma revisão ampla [3] |
| Permanece inalterado | Parte dos pacientes (cerca de 40% na mesma série) [2] |
| Piora | Minoria, cerca de 3% a 11% numa revisão ampla [3]; nenhum caso na série brasileira [2] |
Por isso não há promessa de que o zumbido desapareça depois da cirurgia. Em parte dos pacientes ele melhora muito, ou até deixa de incomodar, mas isso não é garantido, e existe quem fique com o zumbido igual ou, raramente, pior [2][3]. A cirurgia trata a perda auditiva mecânica, e o efeito sobre o zumbido é uma possibilidade, não uma certeza. Quem decide operar precisa fazê-lo pela perda auditiva e pela conversa sobre o que esperar, e não na expectativa de que o zumbido necessariamente acabe.
Como conviver com o zumbido
Conviver bem com o zumbido começa por entender de onde ele vem, em vez de combatê-lo às cegas. Quando o zumbido não dá trégua e atrapalha o sono e a concentração, o cansaço e a irritabilidade são reais, e essa queixa merece ser levada a sério antes de qualquer conselho de manejo. Quando o zumbido vem de uma perda auditiva tratável, como a da otosclerose, cuidar da audição é o passo que mais costuma ajudar, seja pela cirurgia, seja pelo aparelho auditivo, que ao trazer o som ambiente de volta tende a tornar o zumbido menos presente [1]. No dia a dia, alguns hábitos ajudam a baixar o incômodo, manter ambientes com algum som de fundo em vez do silêncio total, cuidar do sono e do estresse, que costumam amplificar a percepção do zumbido, e evitar focar a atenção nele. Nada disso elimina o zumbido, mas costuma reduzir o quanto ele domina o seu dia.
Uma dúvida frequente é o zumbido que aparece em um ouvido só. Um zumbido unilateral pode estar ligado à otosclerose, mas não fecha o diagnóstico sozinho e merece avaliação, porque também pode ter outras causas. Na otosclerose o zumbido costuma acompanhar a perda auditiva e a doença costuma ser bilateral, embora possa começar de um lado [1]. Em qualquer cenário, o princípio é o mesmo. Se o zumbido vem incomodando muito, o caminho é investigar a causa com exames, e não silenciá-lo por conta própria. Veja os caminhos de tratamento em tratamento da otosclerose.
Chamada
Se o seu maior incômodo é o zumbido e você quer entender se há uma perda auditiva tratável por trás dele, o caminho é investigar a causa em vez de tratar o sintoma sozinho. Comece entendendo os sintomas da otosclerose e os caminhos de tratamento, e veja como é a cirurgia da otosclerose e os seus riscos. É possível revisar os seus exames e conversar sobre o seu caso numa consulta on-line, complementar ao atendimento presencial. Saiba como funciona a avaliação à distância ou agende a sua consulta.
Referências (verificadas na fonte primária — 2026-06-25)
- Hohman MH, Khan MAB. Otosclerosis. StatPearls, 2024. NBK560671
- Ismi O, Erdogan O, Yesilova M, Ozcan C, Ovla D, Gorur K. Does stapes surgery improve tinnitus in patients with otosclerosis? Braz J Otorhinolaryngol. 2017;83(5):568-573. PMC9444730 · PMID 27553985
- Al Hail N, Haider H. Impact of Stapedectomy on Tinnitus Severity and Hearing Outcomes in Patients With Otosclerosis: A Systematic Review. Ear Nose Throat J. 2025. PMID 41174987
- Cavalcante AMG, Silva IMC, Neves BJ, Oliveira CA, Bahmad F Jr. Degree of tinnitus improvement with stapes surgery — a review. Braz J Otorhinolaryngol. 2018;84(4):514-518. PMC9449344 · PMID 29339029